Estamos no ano de 2011 e junto às novas Tecnologias da Informação estão os vídeos, muito utilizados como fonte de informação. O seu crescimento junto às redes sociais se deu principalmente em função da facilidade, ou melhor, dizendo, devido à acessibilidade dos usuários. As comunidades acadêmicas por outro lado, fazem uso dessa ferramenta muito bem, especificamente na construção do conhecimento.
Podemos destacar que o vídeo online como uma das ferramentas mais utilizadas na hora de informar-se sobre um produto ou serviço de TI. Assim: De todos os pesquisados, 70% assistem a vídeos online relacionados com sua profissão. Isso mostra que o vídeo se transformou em uma ferramenta muito atraente para os profissionais de Marketing B2B, disse Luciana Sario (2010), gerente de Marketing de IDC América Latina. Nesse mesmo estudo, a gerente ainda aponta que para conseguir um bom video online, existe uma série de passos a seguir. “Contar com um plano de produção de qualidade é um dos passos essenciais para obter um programa multimídia de sucesso. Outra questão que deve ser levada em conta é a das métricas, que podem ser básicas, como clicks e views, ou mais complexas, como as que são relacionadas à interatividade gerada a partir de cada vídeo”.
Um outro estudo da IDC destaca ainda, que um dos objetivos a serem alcançados quando se produz um vídeo é o conteúdo criativo e de grande interesse para a audiência selecionada. Para SÁRIO (2010), converter um vídeo num viral não é uma tarefa que se pode exercer sozinho. “A audiência é fundamental. Por isso, para avaliar os resultados tem que ficar bem claro qual é o público em questão e qual é o número de pessoas que devem ser impactadas. Quando se trata de uma audiência de milhões, vamos querer conseguir a maior quantidade de views possível”.
No entanto, não podemos esquecer que o vídeo é uma mídia social. Para que o mesmo comesse a gerar um vídeo viral devemos ter bem claro o conteúdo e depois vamos somando uma boa estratégia de distribuição nas diferentes plataformas sociais.
O vídeo está chegando à sala de aula, e dele se esperam, como em outras tecnologias anteriores, soluções imediatas para os problemas crônicos do ensino-aprendizagem. O vídeo ajuda a um bom professor, atrai os alunos, mas não modifica substancialmente a relação pedagógica. Claro que o diferencial é essa aproximação entre sala de aula e o cotidiano, bem como as linguagens de aprendizagem e comunicação da sociedade urbana, mas também introduz novas questões no processo educacional. Cria um elo em que o aluno começa a fazer parte de certo modo da nova perspectiva apresentada.
Não podemos esquecer que o vídeo está umbilicalmente ligado à televisão e a um contexto de lazer; o entretenimento, que passa imperceptivelmente para a sala de aula. Neste novo ambiente o vídeo, na cabeça dos alunos, significa descanso e não "aula", o que modifica a postura, as expectativas em relação ao seu uso. Claro, o professor não deve usar o vídeo como um porto seguro e ou desculpa para todas as aulas utilizar dessa ferramenta, afinal de contas, o professor deve sim aproveitar essa expectativa positiva para atrair o aluno para os assuntos do nosso planejamento pedagógico; e ao mesmo tempo, saber que necessitamos prestar atenção para estabelecer novas pontes entre o vídeo e as outras dinâmicas da aula. MORAN (2011) afirma:
Vídeo significa também uma forma de contar multilingüística, de superposição de códigos e significações, predominantemente audiovisuais, mais próxima da sensibilidade e prática do homem urbano e ainda distante da linguagem educacional, mais apoiada no discurso verbal-escrito.
O vídeo explora também e, basicamente, o ver, o visualizar, o ter diante de nós as situações, as pessoas, os cenários, as cores, as relações espaciais (próximo-distante, alto-baixo, direita-esquerda, grande-pequeno, equilíbrio-desequilíbrio). Desenvolve um ver entrecortado -com múltiplos recortes da realidade -através dos planos- e muitos ritmos visuais: imagens estáticas e dinâmicas, câmera fixa ou em movimento, uma ou várias câmeras, personagens quietos ou movendo-se, imagens ao vivo, gravadas ou criadas no computador. É impressionante notar que a fala aproxima o vídeo do cotidiano, de como as pessoas se comunicam habitualmente. Os diálogos expressam a fala coloquial, enquanto o narrador (normalmente em off) "costura" as cenas, as outras falas, dentro da norma culta, orientando a significação do conjunto. A narração falada ancora todo o processo de significação.
Essa lógica da narrativa não se baseia necessariamente na causalidade, mas na contigüidade, em colocar um pedaço de imagem ou história ao lado da outra. A sua retórica conseguiu encontrar fórmulas que se adaptam perfeitamente à sensibilidade do homem contemporâneo. Usam uma linguagem concreta, plástica, de cenas curtas, com pouca informação de cada vez, com ritmo acelerado e contrastado, multiplicando os pontos de vista, os cenários, os personagens, os sons, as imagens, os ângulos, os efeitos. BORTOLIERO (2002) chama a atenção para o seguinte:
Os temas são pouco aprofundados, explorando os ângulos emocionais, contraditórios, inesperados. Passam a informação em pequenas doses (compacto), organizadas em forma de mosaico (rápidas sínteses de cada assunto) e com apresentação variada (cada tema dura pouco e é ilustrado).
As mensagens dos meios audiovisuais exigem pouco esforço e envolvimento do receptor. Este tem cada vez mais opções, mais possibilidades de escolha (controle remoto, canais por satélite, por cabo, escolha de filmes em vídeo). São muitas as opções de escolha e interação. Pensemos no significado e ou efeito que a mensagem de um vídeo passa, e como ele vai levar adiante ou reter esse conhecimento. Afinal de contas, a possibilidade de escolha e participação e a liberdade de canal e acesso facilitam a relação do espectador com os meios.
Algumas propostas de utilização do vídeo:
a) Vídeo como SENSIBILIZAÇÃO: Um bom vídeo é interessantíssimo para introduzir um novo assunto, para despertar a curiosidade, a motivação para novos temas. Isso facilitará o desejo de pesquisa nos alunos para aprofundar o assunto do vídeo e da matéria.
b) Vídeo como ILUSTRAÇÃO: O vídeo muitas vezes ajuda a mostrar o que se fala em aula, a compor cenários desconhecidos dos alunos. Por exemplo, um vídeo que exemplifica como eram os romanos na época de Julio César ou Nero, mesmo que não seja totalmente fiel, ajuda a situar os alunos no tempo histórico. Um vídeo traz para a sala de aula realidades distantes dos alunos, como por exemplo a Amazônia ou a África. A vida se aproxima da escola através do vídeo.
c) Vídeo como SIMULAÇÃO: É uma ilustração mais sofisticada. O vídeo pode simular experiências de química que seriam perigosas em laboratório ou que exigiriam muito tempo e recursos. Um vídeo pode mostrar o crescimento acelerado de uma planta, de uma árvore -da semente até a maturidade- em poucos segundos
d) Vídeo como CONTEÚDO DE ENSINO: Vídeo que mostra determinado assunto, de forma direta ou indireta. De forma direta, quando informa sobre um tema específico orientando a sua interpretação. De forma indireta, quando mostra um tema, permitindo abordagens múltiplas, interdisciplinares.
e) Vídeo como PRODUÇÃO: Como documentação, registro de eventos, de aulas, de estudos do meio, de experiências, de entrevistas, depoimentos. Isto facilita o trabalho do professor, dos alunos e dos futuros alunos. O professor deve poder documentar o que é mais importante para o seu trabalho, ter o seu próprio material de vídeo assim como tem os seus livros e apostilas para preparar as suas aulas. O professor estará atento para gravar o material audiovisual mais utilizado, para não depender sempre do empréstimo ou aluguel dos mesmos programas.
f) Vídeo como intervenção: interferir, modificar um determinado programa, um material audiovisual, acrescentanto uma nova trilha sonora ou editando o material de forma compacta ou introduzindo novas cenas com novos significados. O professor precisa perder o medo, o respeito ao vídeo assim como ele interfere num texto escrito, modificando-o, acrescentando novos dados, novas interpretações, contextos mais próximos do aluno.
g) Vídeo como expressão: como nova forma de comunicação, adaptada à sensibilidade principalmente das crianças e dos jovens. As crianças adoram fazer vídeo e a escola precisa incentivar o máximo possível a produção de pesquisas em vídeo pelos alunos. A produção em vídeo tem uma dimensão moderna, lúdica. Moderna, como um meio contemporâneo, novo e que integra linguagens. Lúdica, pela miniaturização da câmera, que permite brincar com a realidade, levá-la junto para qualquer lugar. Filmar é uma das experiências mais envolventes tanto para as crianças como para os adultos. Os alunos podem ser incentivados a produzir dentro de uma determinada matéria, ou dentro de um trabalho interdisciplinar. E também produzir programas informativos, feitos por eles mesmos e colocá-los em lugares visíveis dentro da escola e em horários onde muitas crianças possam assisti-los.
h) Vídeo como AVALIAÇÃO: No caso dos alunos, do professor e do processo.
i) Vídeo ESPELHO: Vejo-me na tela para poder compreender-me, para descobrir meu corpo, meus gestos, meus cacoetes. Vídeo-espelho para análise do grupo e dos papéis de cada um, para acompanhar o comportamento de cada um, do ponto de vista participativo, para incentivar os mais retraídos e pedir aos que falam muito para darem mais espaço aos colegas. O vídeo-espelho é de grande utilidade para o professor se ver, examinar sua comunicação com os alunos, suas qualidades e defeitos.
j) Vídeo como INTEGRAÇÃO/SUPORTE: De outras mídias, em especial:
vídeo como suporte da televisão e do cinema. Gravar em vídeo programas.
importantes da televisão para utilização em aula. Alugar ou comprar filmes de longa metragem, documentários para ampliar o conhecimento de cinema, iniciar os alunos na linguagem audiovisual. Não podemos esquecer que pode haver a interação do vídeo com outras mídias como o computador, o CD-ROM, com os videogames, com a Internet.
Referências
BORTOLIERO, Simone. A Produção de Vídeos Educacionais e Científico nas Universidades Brasileiras: A experiência do Centro de Comunicação da Universidade Estadual de campinas (1974-1989) Salvador: INTERCOM, Setembro de 2002. Disponível em: <http:// galaxy.intercom.org.br:8180/dspace/bitstream/1904/18871/1/2002_NP9bortoliero.pdf> Acesso em 07 out.2011.
MORAN, José Manuel. O vídeo na sala de aula. Comunicação & Educação. São Paulo, ECA-Ed. Moderna, [2]: 27 a 35, jan./abr. de 1995. Disponível em: <http:// http://www.eca.usp.br/prof/moran/vidsal.htm> Acesso em 06 out. 2011.
Vídeos on-line são fonte de informação para 70% dos profissionais TI IT Carreers Convergência digital São Paulo 06 de outubro de 2010. Disponível em: <http:// http://convergenciadigital.uol.com.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=23951&sid=46> Acesso em 07 de outubro de 2011.